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25/07/26 
Seminário Interno de Pesquisa e Inovação da Escola GHC


Evento realizado em Porto Alegre debateu o futuro da ciência na instituição e contou com a participação remota de profissionais do Hospital Geral de Bonsucesso.

O Auditório do Centro de Oncologia e Hematologia do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, foi palco do Seminário Interno - Pesquisa e Inovação da Escola GHC. O encontro reuniu gestores, pesquisadores, trabalhadores e alunos para debater os novos rumos da produção científica na instituição.

O evento foi marcado pela apresentação de Gabriel Baptista, coordenador do setor de Pesquisa e Inovação da Escola GHC, que traçou um panorama atualizado das iniciativas da instituição. Ele ressaltou a importância do fortalecimento da pesquisa e da inovação, detalhando a necessidade de adequação ao novo arcabouço legal que rege a pesquisa científica no Brasil. Além disso, apresentou dados estratégicos sobre os principais escopos científicos atualmente produzidos na Escola GHC.

Reforçando o papel prático dessas iniciativas, o gerente de ensino e pesquisa da Escola GHC, Alcindo Ferla, destacou que a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico não são fins em si mesmos. Segundo ele, essas ferramentas devem sempre servir de subsídio para a melhoria da assistência, tendo como foco principal e destino final o usuário do SUS.

O conhecimento que nasce nos corredores

O palestrante convidado, professor e médico sanitarista Emerson Elias Mehry, trouxe uma reflexão provocadora e profunda sobre onde e como a ciência é feita na saúde pública. Mehry destacou que o desenvolvimento do conhecimento ocorre fortemente nos processos diários, configurando uma verdadeira inteligência coletiva dos trabalhadores do SUS, muitas vezes não reconhecida formalmente.

Fazendo um paralelo com a indústria automobilística dos anos 1960, o professor explicou que é no "chão de fábrica" que se produz grande parte das inovações. Nos complexos hospitalares, a dinâmica é a mesma: o conhecimento é gerado nas vivências do mundo do trabalho e nas interações com o outro. Para Mehry, a ciência se constrói muito além das instituições de pesquisa, ganhando vida "nos corredores", "no cafezinho" e no "cotidiano do fazer".

Integração e ecos no Hospital Geral de Bonsucesso

O seminário foi acompanhado de perto no Hospital Geral de Bonsucesso (HGB), reunindo membros do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), da Comissão de Consultoria Científica (CCC), além de trabalhadores e residentes da equipe multidisciplinar. Reunidos na Divisão de Inovação e Ensino em Saúde, os profissionais enriqueceram o evento com perguntas e comentários que conectaram a teoria à realidade da ponta.

Ao fim da transmissão, o debate continuou localmente. A sanitarista Marianna Cavalheiro, integrante do CEP e da CCC, enfatizou a necessidade de se desenvolver a pesquisa de forma orgânica dentro do HGB. Ela lançou um convite direto aos residentes, incentivando-os a pensarem criticamente sobre suas práticas diárias para extrair e sistematizar novos conhecimentos a partir dessas vivências coletivas.

Roberta Baptista, da unidade de educação permanente, complementou as reflexões destacando o fator humano e territorial da pesquisa. Ela acentuou a urgência de olhar para o usuário do SUS como sujeito de direitos e de incorporar a produção científica às realidades do território. Segundo Roberta, o grande objetivo deve ser a promoção da saúde com um olhar que compreenda o paciente em sua integralidade biopsicossocial.

O seminário reforçou a visão de que a inovação em saúde não se restringe à alta tecnologia, mas passa fundamentalmente por escutar, valorizar e sistematizar os saberes produzidos por quem constrói o SUS todos os dias.